Estava tão cansado, do duro dia que tive que poucos minutos debaixo daquela arvore foram suficientes para que eu cai-se num sono profundo, apesar de nas primeiras horas de sono eu acordava muito por ter pesadelos, das terríveis imagens que não saio de minha mente, no fim acabei conseguindo dormir um pouco.
Por volta de umas 7horas da manha eu acordei, o céu estava limpo e claro, o sol brilhava ainda fraco aquecendo a terra e a grama úmida do orvalho. Na verdade não acordei, fui acordado, por uma musica alta, era um ritmo alegre com tambores e cornetas, e a voz de muitas pessoas cantando junto. Os pássaros voavam das arvores assustados, e alguns esquilos corriam apreçados para suas tocas nas arvores, não que a musica fosse ruim, pelo contrario, mas estava muito alta e certamente os animais ali não estavam familiarizados com tanto alarde. Levantei ainda meio tonto de sono , esfregando os olhos para tentar enxergar melhor e espantar um pouco do sono e quando olhei pra estrada avistei os responsáveis por tanta algazarra.
Vinha pelas estrada uma caravana de ciganos, haviam muitas carroças e algum comboios puxados por cavalos que apesar de não serem de raça eram bonitos e bem tratados e pareciam estar acostumados com a cantoria pois não se assustavam, em volta das carroças lindas mulheres dançavam e cantavam, os homens que estavam em cima das carroças batiam palmas no ritmo dos tambores, logo atrás vinha a banda com tambores, cornetas, pandeiros e alguns instrumentos de corda. Logo uma das mulheres que vinha dançando a frente avistou-me e veio em minha direção correndo. Era uma linda mulher, seus cabelos eram negros como a noite, sua pele era clara e seus olhos da cor do mel, era visivelmente uns 15 anos mais velha que eu e seu corpo era de causar inveja em muitas donzelas.
- Eii garoto, o que faz sozinho nessa estrada?!
- Estou indo para Valorian, parei apenas pra dormir
- Valorian?! Você vai levar uns 10 dias pra chegar se for a pé, e se tiver sorte, pois essas estradas são muito perigosas para um garotinho andar sozinho- Ela fazia um cafuné com a mão em minha canha cabeça enquanto falava.
- Não tenho escolha tenho que ir, e já vou se não se importa – Passei a Mão em minha mochila e já a colocava nas costas para partir, mas ela falou dinovo
- Espera, pra que tanta pressa, Onde estão seus pais? - Ela realmente parecia preocupada, talvez a caravana tivesse passado pela vila e visto o massacre.
- Mortos, estão todos mortos, toda minha família, só eu sobrevivi – Nesse momento meus olhos começaram a encher-se de lagrimas, tentei segura o choro mas não deu.
A mulher ajoelhou-se e me deu um forte abraço, era tudo que eu queria no momento, um abraço , um colo minha mãe...Todos meus esforços para conter o pranto foram inútil depois desse abraço foi impossível seguram a correnteza de lagrimas. Ela me pegou no colo e me levou em direção à caravana.84152400
-Venha não tenha medo, vou te levar ate o nosso líder, o cigano Ravier, você vai ver ele é um cara bem legal, talvez ele deixe você viajar com agente.
Ela passou comigo no colo por um monte de gente que estava ali dançando e foi ate uma carruagem, era bem grande e bonita, na porta havia dois homens com espadas impedindo a passagem, mas ela falou uma palavra que não entendi muito bem, mas parecia ser uma senha, em seguida disse que queria falar com Ravier. Um dos homens entrou na carruagem e a chamou, levando-a ate o tal Ravier.
-Ravier! Ravier, veja acabo de encontra esse garoto durmindo sozinho na estrada, parece que ele é o único sobrevivente daquela vila que passamos – Enquanto falava ela me colocou de pé no chão ao seu lado.
O cigano levantou-se de sua cadeira, uma espécie de trono, e veio em direção há mim, eu senti um pouco de medo e agarrei-me às pernas da cigana.
-Não tenha medo garoto, vamos diga qual seu nome?- O homem foi agachando-se para ficar na minha altura enquanto perguntava.
Aos poucos fui perdendo o medo e soltando de vagar a mulher.
-Ss...Sa...Sam! Meu nome é San! – ainda com um pouco de receio e aos poucos perdendo o medo eu respondi.
Ele pediu para que eu conta-se o que havia acontecido naquela vila, e eu contei tudo o que sabia. No fim de toda historia ele disse:
-Com certeza é o exercito do As De Espadas, ele vem atacando e saqueando vilas a alguns anos, já dominou quase todo o leste e agora vem em direção ao sul, Ele pretende dominar todo o continente de Falecia. – Ele parecia ter certeza de que era o As de Espadas que cometeu aquela barbaria, e parecia conhecê-lo bem, mas eu ainda estava meio confuso.
-Pelo visto você não tem mais família, então doravante esta será sua nova família, você vivera em nossa caravana, com os ciganos, e eu serei como um pai pra você. –O homem levantou-se e virou-se de costas para mim e para a moça. – Leve este garoto para tomar banho e comer, ele deve estar faminto, depois apresente ele para o resto da caravana, pois agora ele é um de nos
Eu não tinha outra escolha, e ali parecia um bom lugar, não que eles fossem substituir minha antiga família, mas pelo menos eu teria comida,bebida e proteção. Foi com essa nova família que eu passei mais 12 anos da minha vida, ali aprendi a ser um Bardo, contar historias, brandir espadas, beber cerveja e cortejar garotas.
